Há muito tempo que aqui não venho. A razão era não querer escrever um texto com frases pontualmente autobiográficas, mas isso é impossível. Sou eu que escrevo, logo o meu cunho, a minha opinião estará em cada palavra. E logo eu, que sou tanto de ter uma opinião. E é sobre ter opinião que me apetece escrever. Constatei recentemente que vivo uma fase apática, ou preguiçosa, ainda não decidi, de ter opinião.
Ou, na pior e mais realista hipótese, estar cansada de ser a MacGyver de todos os desafios, (porque agora não se diz problemas), mas eu ainda “prefiro mais” “pepinos”, que me arranjaram e eu, assim o permiti, nos últimos longos anos.
Justo para comigo, injusto para quem está comigo e pouco abonatório para a minha pessoa se quem está por perto não me conhece assim tão bem. Como é possível, eu que tinha formigueiro na língua, a garganta apertava e as mãos suavam se tivesse de me conter e não disparar de imediato o que me ia na alma.
Nos últimos meses tenho treinado a arte de estar leve, receio, contudo que esteja a exagerar no hélio e um dia destes desapareça no horizonte da opinião. Eu até analiso, penso em questionar e opinar, mas de imediato questiono-me se vale a pena. Acho que fui do “se eu quero tenho de lutar e lutar imenso” para o “o que tiver de ser será”. Como tudo na vida, o bom senso e a tranquilidade recomendam o equilíbrio. Como tudo na vida a tomada de consciência é o primeiro passo. Como tudo na vida, se te dá prazer faz. Ups! Afinal parece que ainda sei opinar, mas só para quem me merece. Para os demais permanecerei preguiçosa, apática ou em modo de “quero lá saber”.
Vou apreciar todas as decisões alheias que contribuam para a minha felicidade e agradecê-las individualmente do fundo do meu coração.Mais uma etapa superada em relação a quem quero comigo, só quero quem me acrescente. Até já.