Esta é uma das minhas fotos preferidas. Acho que consigo ficar horas a olhar para ela para resgatar tudo o que preciso, porque tudo o que preciso está ali. A simbiose perfeita.
Sou menina do papá com um orgulho enorme, de encher o coração, tive o melhor pai do mundo, o melhor dos melhores. Ele antecipava o beijo, o abraço, o carinho, aquela caneta, aquela mala, aquele passeio.
Com aquele despreendimento e total entrega, vontade de... Só isso, sem justificação. Porque sim. E eu só tinha de aceitar.
Com os anos aceitar tornou-se uma armadilha, não aceitava, ou, se aceitava era sempre em desconfiança, deixei de saber aceitar. Os presentes mesmo sendo genuínos, traziam sempre um resquício de desculpa passada ou futura, assim como, por vezes faziam um trolley Louis Vitton parecer uma pechincha perto do custo emocional daquele pequeno e supostamente agradável presente. Com a pressa de viver, corrigir e seguir existem situações, das quais nem sequer damos conta, só quando ganhamos aquela distância em tempo e espaço, as conseguimos ver.
Daí a achar que não somos merecedores de aceitar ou que temos obrigatoriamente que retribuir é um passo invisível, que também só se irá revelar com a tal distância . Ultimamente tenho-me debatido com este sentimento, saber aceitar porque sim. Também por respeito a quem oferece. Mas ainda é estranho.
Passa-se uma vida a criar e fortalecer uma carapaça para nos protegermos. Para chegar à conclusão que tirando tudo e sermos só nós, sendo que o nós tem de vir antes de tudo, como um pai nos ensina a sermos a prioridade, é a forma correta de viver, aceitar e dar.
Aceitar que podemos simplesmente aceitar. Parece fácil, mas por vezes não o é.
Aceitar que há pessoas iguais a nós. Que simplesmente gostam e querem o nosso sorriso. Ponto. Só isso. Mas é tanto.
Até já.